Venda de serviços em nuvem: como adaptar sua estratégia comercial ao modelo de nuvem

CEO da Power Inside Out | Estratégia Comercial, Vendas e Liderança

Como fundador da Power Inside Out, recebo com frequência esta pergunta de clientes, fornecedores de tecnologia e parceiros de canal: “Quero começar a vender serviços em nuvem, mas parece complicado. O que eu deveria fazer?”. 

É uma pergunta válida. A venda de serviços em nuvem muda a lógica comercial à qual muitos parceiros tradicionais estavam acostumados: mudam o modelo de consumo, a forma de projetar a receita, a relação com o cliente e a maneira como a equipe vende e mede o negócio. Para respondê-la, compartilho alguns aprendizados dos meus 25 anos em vendas e marketing em gigantes da tecnologia como Intel, Microsoft e Amazon. 

O crescimento da nuvem mudou o negócio dos parceiros de tecnologia

O crescimento da nuvem abriu uma oportunidade enorme para fornecedores e parceiros de tecnologia, mas também mudou algumas das regras com as quais o negócio funcionava historicamente.

Durante anos, muitos parceiros construíram seu modelo em torno de projetos pontuais: infraestrutura, licenças, hardware ou implementações com um valor definido e um momento claro de fechamento.

Com a nuvem, uma parte importante do negócio passa a funcionar sob uma lógica de consumo e recorrência. Isso modifica como a receita é gerada, como o negócio é projetado e quanto importa o que acontece depois da venda inicial.

Fechar um contrato continua sendo importante, mas já não basta pensar apenas no momento da assinatura. O crescimento também depende de que o cliente adote a solução, aumente seu consumo e encontre novas formas de obter valor com o tempo.

Para muitos parceiros, aí está uma das maiores oportunidades do modelo em nuvem. Mas aproveitá-la exige adaptar a estratégia comercial e entender que a relação com o cliente continua muito depois de fechar a primeira oportunidade.

O que aprendi ao passar da Intel para a AWS

Quando cheguei à Amazon Web Services depois de 12 anos na Intel, tive que reprogramar minha cabeça para entender a economia da nuvem. Na minha primeira reunião de vendas, estávamos 30% abaixo da meta e faltavam só dois meses para terminar o ano. Meu instinto foi fechar rápido negócios grandes, mas logo aprendi que a nuvem não funciona assim. 

Podíamos fechar um contrato importante e, mesmo assim, não ver esse valor refletido de imediato na receita, porque o negócio depende do consumo que o cliente gera com o tempo. Para ter sucesso, tive que começar a pensar em quanto o cliente podia consumir e em como acompanhar sua adoção durante os meses e anos seguintes, além de quanto eu podia fechar. 

A economia da nuvem muda a forma de vender

Diferentemente da venda de hardware, a nuvem funciona com um modelo de pagamento por uso. Um contrato de USD 3 milhões por três anos equivale, com um consumo uniforme, a cerca de USD 83.000 de receita mensal. 

Além disso, para o cliente é OPEX e não CAPEX, e isso muda tudo: como você vende, como faz o forecast e como planeja cada conta. O contrato marca o início da relação, e o valor comercial é construído à medida que o cliente adota, consome e amplia o uso da tecnologia. 

O que essa transformação significa para os parceiros de tecnologia

Ao longo dos anos, vi três tipos de parceiros diante do negócio em nuvem: 

  • Nascidos na nuvem: construíram seu modelo desde o início em torno de serviços em nuvem, com uma lógica de consumo e recorrência. 
  • Tradicionais: vendem dispositivos e, em alguns casos, serviços. 
  • Híbridos: combinam o melhor dos dois mundos. 

O desafio para os parceiros tradicionais é transformar uma mentalidade de “vender caixas” em uma abordagem cloud first. A transição obriga a reinventar o modelo de negócio, muito além de adicionar uma linha de produtos. 

Se um parceiro tradicional já vende de forma consultiva e presta serviços, além de vender dispositivos, já percorreu metade do caminho. Para ele, a transição para a nuvem vai ser mais simples. 

Quatro aprendizados para ter sucesso na venda de serviços em nuvem

1. Adotar a venda consultiva

A venda cloud exige entender com mais profundidade as necessidades e os processos de negócio do cliente. O foco está em se tornar um consultor de confiança que o acompanhe em sua transformação digital. 

2. Desenvolver conhecimento técnico

Invista em formar sua equipe em tecnologias cloud, arquitetura e boas práticas. Esse conhecimento é indispensável para vender e dar suporte às soluções cloud. As certificações adequadas ajudam a fortalecer essa experiência. 

3. Pensar no valor do cliente durante todo o seu ciclo de vida

O foco passa da venda pontual para a relação de longo prazo com o cliente. Ganham importância o suporte contínuo, o upselling e a retenção, porque deles depende a receita recorrente. 

4. Adaptar o modelo de remuneração comercial

Ajuste as estruturas de comissões à natureza recorrente do negócio receita cloud. Considere incentivar o sucesso do cliente no longo prazo, e não apenas a venda inicial. 

Você precisa de uma equipe dedicada à nuvem?

Um conselho prático: considere montar uma equipe dedicada a cloud. Nem todos os vendedores vão se adaptar rápido ao novo modelo, e uma equipe específica pode desenvolver essa experiência e acelerar o aprendizado do restante da organização. 

Vender nuvem é construir relações de longo prazo

A venda de serviços em nuvem muda a relação entre o parceiro e o cliente. Em um modelo tradicional, grande parte do esforço comercial podia se concentrar em fechar uma operação concreta. Na nuvem, o valor é construído durante muito mais tempo.

A adoção, o consumo, a expansão e a capacidade de encontrar novos casos de uso passam a fazer parte da conversa comercial. Isso exige pensar menos na transação pontual e mais em como acompanhar o cliente durante sua evolução.

A definição de sucesso também muda. Uma boa venda não termina quando o contrato é assinado. Ela se torna realmente valiosa quando o cliente adota a solução, obtém resultados e encontra novas razões para continuar crescendo com ela.

Vender cloud já deixou de ser opcional. Trata-se de construir relações de longo prazo com os clientes, baseadas no valor que recebem com o tempo. 

Na Power Inside Out, temos experiência em ambientes tradicionais e em nuvem, e isso nos permite acompanhar você nessa transformação. Se você quer começar a vender soluções em nuvem, vamos conversar. 

Sua equipe comercial está preparada para vender nuvem com uma lógica diferente?