Inteligência artificial nas empresas: a IA vai nos substituir?

CEO da Power Inside Out | Estratégia Comercial, Vendas e Liderança

Pela minha experiência em tecnologia e inteligência artificial, ultimamente várias pessoas me perguntaram: “A IA vai nos substituir?”. Minha resposta retoma uma frase que ouvi em 2023: “A IA não vai substituir você, mas alguém que use IA pode fazer isso”. O mesmo vale para a sua empresa: se você não usa inteligência artificial, seu concorrente vai usar. 

A integração da inteligência artificial nas empresas deixou de ser um conceito futurista e já é uma realidade. À medida que a IA transforma setores e formas de trabalhar, a liderança cumpre um papel central para guiar as equipes nessa transição tecnológica. 

Segundo a McKinsey, as organizações que apostaram fortemente na IA atribuíram a essa tecnologia pelo menos 20% do seu EBIT (lucro antes de juros e impostos) de 2022. 

Costumamos ouvir que encarar a mudança com a mente aberta e uma atitude proativa é a forma mais eficaz de aproveitar as oportunidades. Esse princípio é especialmente relevante quando se trata de levar uma organização para um mundo cada dia mais influenciado pela IA. Como líderes, podemos transformar o medo em entusiasmo pelas novas tecnologias se envolvermos as equipes e construirmos uma visão compartilhada. 

O que podemos aprender com a Revolução Industrial

A mudança é difícil porque buscamos segurança e estabilidade, e o desconhecido nos gera medo e ansiedade. A resistência à mudança é um problema comum em qualquer organização, e não é nova. 

Entre o fim do século XVIII e o século XIX, a Revolução Industrial transformou o mundo: passou do trabalho manual, agrícola e artesanal para um grau muito maior de industrialização baseado no trabalho assalariado. Hoje nos parece óbvio que a tecnologia trouxe benefícios incalculáveis. No entanto, na época enfrentou uma forte resistência, impulsionada por medos e preocupações: 

  • O movimento ludita: trabalhadores têxteis da Inglaterra temiam que as novas máquinas substituíssem seus empregos e chegaram a destruí-las como forma de protesto. 
  • A resistência no setor agrícola: os agricultores temiam que as inovações gerassem desemprego e alterassem as práticas tradicionais. 
  • A resistência cultural e social: baseava-se na segurança no emprego, na segurança física e na ruptura das formas de vida tradicionais. 
  • A falta de trabalhadores qualificados: a velocidade da mudança tecnológica costumava superar a disponibilidade de pessoas formadas nas novas tecnologias. 

Para superar o medo, o primeiro passo é entender do que temos medo. Então, você realmente sabe do que se trata a IA? 

Antes de temer a IA, é preciso entender o que ela pode fazer

A inteligência artificial é a criação de sistemas computacionais capazes de realizar tarefas que normalmente exigem inteligência humana: aprender com dados, tomar decisões, resolver problemas e compreender a linguagem. Os sistemas de IA são treinados para reconhecer padrões e fazer previsões, o que permite que mantenham conversas, identifiquem imagens e até dirijam veículos. 

Benefícios da inteligência artificial nas empresas

Maior eficiência e produtividade

Uma das aplicações mais evidentes é a possibilidade de fazer algumas tarefas de forma mais rápida. Desde o ChatGPT e assistentes virtuais até ferramentas como Canva, HubSpot e muitas outras plataformas que estão incorporando IA aos seus produtos. A oportunidade está em identificar onde essas ferramentas podem reduzir trabalho repetitivo, acelerar análises ou simplificar processos. Isso permite liberar tempo para tarefas em que o julgamento, a criatividade, a conversa ou a tomada de decisões continuam sendo importantes.

Melhores decisões a partir de dados

Durante anos ouvimos que os dados são o novo petróleo. Mas o petróleo, antes de gerar valor, precisa ser refinado. Com os dados acontece algo parecido. A IA pode ajudar a processar grandes quantidades de informação, encontrar padrões e transformar dados dispersos em sinais que permitam tomar decisões com mais velocidade. O valor está em conseguir transformar a informação em algo acionável.

Experiências mais personalizadas para os clientes

A inteligência artificial nas empresas também abre novas possibilidades para entender e atender melhor os clientes. Uma organização pode combinar informações históricas, comportamento, preferências e outras fontes para personalizar comunicações, recomendações ou experiências. Isso pode gerar relações mais relevantes. Mas também aumenta a responsabilidade sobre como usamos esses dados.

Os desafios que também precisamos considerar

  • O possível deslocamento de empregos: é a grande pergunta. Quantos postos de trabalho podem ser perdidos com o uso da IA? Em que as pessoas precisam se formar para continuar sendo empregáveis no futuro? 
  • As preocupações éticas e os vieses: a IA funciona com algoritmos. Se os dados ou os algoritmos têm vieses, por exemplo refletindo desigualdades históricas de gênero ou de origem, podem produzir resultados discriminatórios. 
  • A privacidade e a segurança dos dados: como a IA depende dos dados, a quantidade de informação compartilhada é enorme. Até as perguntas que fazemos a ela usam dados que nós mesmos fornecemos, e cada ferramenta tem regras de privacidade diferentes. 

O papel dos líderes diante da inteligência artificial

Acredito que este é um dos pontos mais importantes. Uma transformação tecnológica não acontece apenas porque uma empresa compra uma ferramenta. Ela acontece quando as pessoas começam a usá-la de forma eficaz no seu trabalho.

E aí os líderes têm uma responsabilidade enorme. Se a mensagem for simplesmente “agora temos IA, usem”, provavelmente vão surgir experiências isoladas, diferentes níveis de adoção e bastante confusão. As equipes precisam entender por que ela está sendo incorporada, onde pode gerar valor, que limites existem e que capacidades precisam desenvolver.

Elas também precisam de espaço para aprender. Como líderes, podemos ajudar a transformar parte da ansiedade que uma tecnologia nova gera em curiosidade e experimentação. Isso exige uma visão compartilhada sobre o que queremos alcançar com a inteligência artificial nas empresas, e não apenas acesso a uma nova ferramenta.

Adotar IA muda a forma como trabalhamos

As organizações que não adotarem a IA correm o risco de perder vantagem competitiva, participação de mercado e capacidade de atrair os melhores talentos, em um mundo de negócios cada vez mais centrado nessa tecnologia. 

Adotar IA implica guiar a organização por uma mudança profunda na forma de trabalhar, muito mais do que implementar uma tecnologia nova. E essa mudança pode gerar mais negócios e um crescimento mais sustentável no longo prazo. 

Na Power Inside Out, entendemos a combinação de potencial de liderança, mudança cultural e tecnologia que impulsiona a receita. Se você quer definir como trabalhar com IA na sua organização, vamos conversar. 

Sua organização está preparada para trabalhar com IA?