Demissões: como proteger sua carreira em um mercado de trabalho em transformação 

CEO da Power Inside Out | Estratégia Comercial, Vendas e Liderança

Não faz tanto tempo, acordei com um e-mail frio e impessoal: “Hoje estamos dando o passo, muito difícil, de reduzir funções em algumas de nossas unidades de negócio. Infelizmente, a sua função foi eliminada.” 

Vieram o medo, a incerteza e a frustração. Eu tinha um bom desempenho, trabalhava mais de 10 horas por dia e estava alcançando resultados de destaque. Outras 5.000 pessoas receberam o mesmo e-mail ao mesmo tempo. Eu tinha 60 dias para encontrar uma nova função; depois disso, deixaria de ser funcionário. Embora não esperasse uma mensagem assim, eu reconhecia que o mercado de trabalho vinha mudando. 

As demissões costumam trazer estresse financeiro, impacto emocional, uma interrupção na carreira e, sobretudo depois do primeiro golpe, uma sensação de traição por parte da empresa. Em um mercado incerto, elas são uma preocupação crescente, e nem mesmo as pessoas de alto desempenho estão a salvo. Como vivi uma demissão, entendo o medo e a incerteza que muitos sentem hoje. Neste artigo, analiso o que está acontecendo e que passos concretos profissionais e líderes podem dar para proteger sua carreira e planejar seu futuro. 

O que está acontecendo com as demissões

Nos últimos anos, o mercado de trabalho mudou de forma notável e as demissões se tornaram mais comuns em diferentes setores. Essa tendência afetou muitas pessoas e também modificou a dinâmica e a cultura das empresas. Só em 2024, empresas como Citibank, Boeing, Intel e Amazon anunciaram demissões significativas, sinal de um cenário econômico em transformação. 

Uma mudança cultural: antes e agora

Há trinta anos, antiguidade era sinônimo de segurança no emprego. As pessoas costumavam trabalhar décadas na mesma empresa e se aposentavam com um reconhecimento pelos anos de serviço. As demissões eram pouco frequentes, quase sempre se deviam a baixo desempenho ou a problemas legais, e carregavam um estigma. 

Hoje as demissões são comuns e as empresas as usam de forma estratégica. A segurança no emprego depende do desempenho e da capacidade de adaptação. Entre meus amigos com mais de 40 anos, mais da metade passou por pelo menos uma demissão. Já não carrega o mesmo peso de vergonha de antes, mas muda a trajetória de uma carreira. 

O impacto das demissões nas pessoas e nas empresas

A frequência das demissões também mudou a relação entre profissionais e empresas. Quem fica costuma sentir menos engajamento, menos confiança, mais estresse e mais carga de trabalho. Embora uma demissão em massa possa trazer alívio financeiro de curto prazo, suas consequências de longo prazo incluem o alto custo de contratar substitutos, um dano reputacional que dificulta futuras contratações e um desempenho inferior ao das empresas que as evitam. 

Muitas vezes, os custos ocultos de uma demissão superam seus benefícios de curto prazo, o que sugere que nem sempre são considerados na hora de tomar a decisão. 

A conduta de cada líder de uma empresa que passa por demissões tem um impacto enorme em quem permanece. A forma como os líderes se comportam influencia diretamente o moral e o ânimo de toda a organização. 

Você corre o risco de ser demitido?

Não é fácil prever. Depende da empresa, do setor e do mercado. O certo é que o mercado mudou e hoje ninguém está completamente a salvo. Estes são alguns dos critérios que as empresas podem usar para decidir quem incluir em uma demissão: 

  • Último a entrar, primeiro a sair: as pessoas contratadas mais recentemente são as primeiras a sair. É um método simples, mas pode fazer a empresa perder talentos novos e valiosos. 
  • Eliminação de uma unidade ou função: departamentos ou funções inteiras são eliminados. 
  • Análise de custo-benefício: os funcionários com salários mais altos podem estar mais expostos. 
  • Seleção por desempenho: muitas empresas priorizam manter as pessoas de melhor desempenho. 

Além disso, há outros fatores que podem aumentar o seu risco. Ao longo dos anos, vi demissões que atingiram pessoas com bom desempenho por outras circunstâncias. Algumas perguntas que vale a pena se fazer, com uma ação possível para cada uma: 

  • Você trabalha em um local com custo de vida mais alto que outros, por exemplo Miami em comparação com a Argentina? Explore opções de trabalho remoto ou esteja aberto a uma mudança, se for necessário. 
  • Sua área está perdendo protagonismo em relação a outras dentro da empresa? Busque de forma proativa oportunidades para colaborar com iniciativas mais centrais e se integrar a elas. 
  • Sua função gera receita suficiente para justificar a posição em relação a outras? Quantifique seu impacto com métricas-chave e apresente suas conquistas à diretoria. 
  • Você está longe da sede, por exemplo em uma função regional ou em um país com poucos funcionários? Construa relações sólidas com quem toma as decisões na matriz e torne suas contribuições visíveis com regularidade. 

O que você pode fazer

Preparar-se para possíveis demissões significa ampliar as opções antes de precisar delas. Como você não pode mudar o mercado, o que resta é se concentrar no que você controla: 

  • Tenha sempre um plano B. Avalie suas habilidades e sua experiência e identifique como elas poderiam ser aproveitadas em outras funções ou até em um negócio próprio. Pesquise setores em crescimento alinhados com seus interesses e atualize seu currículo pelo menos uma vez por trimestre. 
  • Construa sua marca pessoal. Use o LinkedIn para mostrar sua experiência. Compartilhe conteúdo de valor, participe de conversas do seu setor e torne suas conquistas visíveis. Se a sua área não é central para o negócio, conecte-se e colabore com as áreas que são, para ampliar sua visibilidade. 
  • Defina um plano de carreira claro. Estabeleça seus objetivos profissionais e alinhe-os com seus valores e com a realidade da sua situação (localização, relevância da sua área etc.). Pense se você estaria disposto a se mudar ou a ir para uma função mais central. 

Assuma hoje o controle da sua carreira. Comece a montar seu plano B e a construir sua marca pessoal. Seu eu do futuro vai agradecer. 

O que fiz depois da minha demissão

Depois de passar por uma demissão, decidi acelerar minha transição para o empreendedorismo, algo que vinha planejando havia muito tempo. Durante anos eu tinha me preparado: conversava com amigos sobre meus projetos futuros, assumia funções internas de coaching e obtive certificações da ICF, de Patrick Lencioni e da Korn Ferry. 

Essa experiência me levou a lançar a Power Inside Out, dedicada a ajudar pessoas e organizações a crescer mais rápido, atravessar transições de carreira e construir resiliência. Não espere uma demissão para assumir o controle do seu futuro. 

Se você quer montar seu próprio plano de carreira e se mover com mais segurança em um mercado de trabalho que mudou, na Power Inside Out podemos acompanhar você.