CEO da Power Inside Out | Estratégia Comercial, Vendas e Liderança
Em meus 25 anos no mundo corporativo, vi o burnout no trabalho se tornar um problema generalizado. Vi ele afetar pessoas, mas também organizações inteiras.
O burnout vai muito além do pessoal: é um desafio sistêmico que afeta a produtividade, a inovação e os resultados do negócio. Ele se manifesta de forma diferente conforme a cultura, mas seus efeitos se repetem: menos satisfação com o trabalho, mais rotatividade e um forte impacto no desempenho da organização. Cuidar do burnout é uma responsabilidade humana e, ao mesmo tempo, uma necessidade estratégica.
O burnout no trabalho não começa da noite para o dia
“Quando você vai parar de trabalhar? O jantar está pronto, são 8 da noite.” A pandemia nos obrigou a passar do trabalho para casa em questão de segundos, e muitas pessoas comprometidas começaram a trabalhar demais. Mesmo depois da pandemia, as jornadas longas continuaram sendo comuns: um dia de 10 horas no meu trabalho corporativo me parecia normal, e o jantar marcava o fim de um dia com trabalho demais. O problema também não se limita ao trabalho remoto. Muitas pessoas passam jornadas longuíssimas no escritório.
E isso não é novidade. Há mais de 20 anos, lembro de sair tarde do escritório depois de dias muito longos. Uma vez, meu gestor me perguntou por que eu não estava no escritório às 7 da noite, como meus colegas. Expliquei que, por causa do trânsito, eu chegava às 7h30 da manhã a um escritório vazio (as pessoas costumavam chegar às 9) e que saía às 18h30, depois de 11 horas de trabalho. Mesmo assim, a expectativa era que te vissem no escritório, e a pressão dos colegas era enorme.
O que alimenta o burnout dentro de uma organização
O desgaste raramente depende de uma única causa. Ele costuma aparecer quando várias condições se acumulam e acabam transformando a exigência constante na forma habitual de trabalhar.
Tudo parece urgente
Quando todas as tarefas competem por atenção imediata, a equipe perde a capacidade de priorizar. Isso gera uma sensação constante de pressão e faz com que o trabalho importante seja deixado de lado pelo que grita mais alto. Com o tempo, viver em urgência permanente esgota até as equipes mais comprometidas.
A carga cresce, mas os recursos não
As equipes conseguem absorver mais trabalho por um tempo. O problema aparece quando novas responsabilidades, projetos ou clientes são adicionados sem revisar a capacidade, os processos ou a quantidade de pessoas. Aí a exigência deixa de ser pontual e começa a se tornar estrutural.
Os limites desaparecem
Quando responder fora do horário, estender a jornada ou estar sempre disponível começa a se tornar normal, os limites ficam difusos. Isso reduz o espaço real de recuperação e torna mais difícil manter a energia e a concentração ao longo do tempo.
A equipe depende de poucas pessoas
Em muitas organizações, algumas pessoas se tornam pontos críticos porque concentram conhecimento, decisões ou capacidade de resolução. Essa dependência gera sobrecarga para quem sustenta frentes demais e também fragilidade para o restante da equipe. Quando coisas demais dependem das mesmas pessoas, o risco de burnout aumenta.
Reorganizações frequentes, mesmas metas
As empresas demitem pessoas e reorganizam equipes com frequência, mas as cotas e as metas continuam iguais. Os funcionários precisam absorver a carga extra ou correr o risco de fracassar em sua função. Um funcionário de uma grande corporação resumiu assim: “Perdemos gente, mas a cota não mudou. Tenho que trabalhar mais para ganhar minha comissão ou para ir bem na minha função.”
Apagar incêndios também esgota
O burnout no trabalho se parece com ser bombeiro e passar o dia apagando incêndios. Se você está sempre apagando incêndios, não sobra tempo para mais nada, e alguns focos continuam fora de controle. Para implementar soluções de longo prazo, como um sistema de sprinklers ou melhores normas de prevenção, você precisa de tempo.
A solução que propomos aos nossos clientes é simples, embora difícil de aplicar: talvez você precise deixar alguns incêndios queimarem.
Ferramentas para romper o ciclo de burnout no trabalho
Com base em nossos anos no mundo corporativo, em nossa experiência como coaches e nas contribuições de referências em saúde organizacional como Patrick Lencioni, vimos de perto o que funciona e o que não funciona.
A matriz de Eisenhower
É uma ferramenta poderosa, atribuída ao presidente Dwight Eisenhower, que ajuda a reduzir esse problema. Stephen Covey a desenvolve em Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes. Ela classifica as atividades diárias em quatro grupos:
- Urgente e importante.
- Não urgente e importante.
- Urgente e não importante.
- Não urgente e não importante.
Os “incêndios” diários, urgentes e importantes, nos desgastam. Vale a pena dedicar mais tempo ao que é importante, mas não urgente, porque isso reduz os incêndios com o tempo.
Delegação
Se a equipe não está sobrecarregada, há uma oportunidade de exercer uma capacidade crítica de liderança: delegar. As tarefas urgentes mas não importantes podem ser delegadas. Se isso não for suficiente e for preciso deixar alguns incêndios queimarem para ganhar tempo, também é possível delegar algumas tarefas importantes, urgentes ou não, para liberar mais espaço. Ao delegar, você empodera sua equipe, desenvolve as habilidades de liderança dela e a motiva. A delegação merece uma análise própria, e nós a desenvolvemos em nosso artigo sobre delegação eficaz.
Agendar o que é importante
As tarefas importantes não acontecem se você não as agenda. Reserve tempo no seu calendário para se concentrar nelas e proteja esse tempo das reuniões quando chegar a hora.
Ações concretas para a sua organização
Vimos muitas organizações com burnout no trabalho. Algumas das nossas recomendações:
- Gerenciar a carga de trabalho: distribuir as tarefas de forma justa e alinhada à capacidade de cada pessoa.
- Promover o equilíbrio entre vida profissional e pessoal: incentivar as pessoas a se desconectarem depois do horário de trabalho. Um happy hour em vez de voltar para casa talvez não seja a melhor ideia.
- Fomentar uma cultura de apoio: criar um ambiente em que as pessoas se sintam valorizadas e apoiadas.
- Fortalecer a liderança: capacitar os líderes para reconhecer o burnout e lidar com ele de forma proativa.
- Oferecer formação em gestão do estresse: incluir recursos como sessões de mindfulness ou programas de resiliência.
- Melhorar a comunicação: simplificar os canais para reduzir a sobrecarga e aumentar a transparência.
Romper o ciclo começa pelas prioridades
Se você está passando por um burnout no trabalho, revise suas prioridades e delegue. Concentre-se em soluções de longo prazo para construir um ambiente mais saudável para você e para sua equipe.
Se você tem dificuldades com a gestão da carga de trabalho, a priorização ou a delegação, não hesite em pedir ajuda. Na Power Inside Out, temos experiência nesses temas e podemos acompanhar você com ferramentas concretas para melhorar a situação da sua organização.
Sua equipe está sustentando o crescimento ou sobrevivendo à sobrecarga?
